VER.TE ITAIPAVA

entre verdes e azuis, sorrisos e sons...

ver-te e verter sobre você o prazer de estar aqui...
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sábado, 28 de agosto de 2010

"Tardo"

Tardo.
Como as tardes, lentamente.

De hoje.
De uma tarde que me arde como febre
E deixa rosa o meu pensamento.

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Testemunho"

Tomaram-me primeiro pelos olhos:
desenhos negros na folha marfim.
Mas de traços inertes aprisionados à página,
como mágica fumaça,
evaparoraram.

E eu inalei palavras.

Por dentro, foram tomando meu corpo.
O pensamento, a sofreguidão, a impotência,
todas juntas, na escrita
moveram as partes
que agora são cinza e fumaça.

Por fora, o suspiro exalado não cessa:
não mais ser vivo que existe
no entrar e sair do ar,
só saída infinita que receia e recusa
mais inalar.

Uma saída infinita que deseja ecoar.

#Encantada pelas palavras de Beatriz Sarlo,
27 de fevereiro de 2010#

sábado, 8 de maio de 2010

"Volta"

Vejo vão vazado.
Vejo um quadrado.
Um canto onde tudo pode entrar.

Cabe um desejo, uma flor.
Cachorro, passarinho, mato.
Mas também cabe o hiato
entre o ontem e onde estou.
28/ 02/ 2010

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Explicações poéticas

Comecei o blog para declarar o amor por Itaipava, pois uma transformação compulsória em minha vida evidenciava afetos e saudades inimaginados.
Posso postar o lado bom de estar entre amigos ou o ritmo mais lento do lugar, quando comparado a metrópoles, mas estas explicações racionais não esgotam o prazer e a beleza de estar aqui.
A alguns pode parecer tolo tantas imagens de uma natureza... 'a temos em qualquer lugar'... mas não é bem assim: vivemos a partir de nosso lugar e mesmo que eu saiba belezas infinitas na China ou no Alasca , delas me aproximo através daquelas que vejo e sinto. A água do regato é a mesma de todos os cantos do mundo e o próprio regato é apenas mais um entre os trilhões que devem existir, mas foi daquele fotografado que ouvi o som, senti a umidade e refrescou meu passeio... é ele que invade de beleza mais um dos meus dias... e certamente também por ele continuo a ver e a querer Itaipava.

Fico com a LIÇÃO de Carlos Drummond de Andrade:

'Tarde, a vida me ensina
esta lição discreta:
a ode cristalina
é a que se faz sem poeta."